Valentine's Day?


Este dia para mim, é um dia como os outros, porque, na minha teoria, o "Dia dos Namorados", para quem namora, e gosta verdadeiramente da pessoa com quem se esta, este dia deveria ser "todos os dias" pois, amar, gostar de alguém, não tem hora, data marcada, nem dia nem tempo, acontece simplesmente... Quando era mais puto, ai com os meus 7, até aos 12 anos mais ou menos, por volta desta altura do dia dos namorados, se calha-se em dias de aulas, o que mais me apetecia fazer era ficar em casa, isto porque, tinha o azar que na escola organizava-se sempre algo, como por exemplo, uma distribuição prendas e de cartas de amor, meninas e meninos que escreviam "cartas apaixonadas", uns para os outros, mesmo até cartas parvas, com coisas sem sentido, mas recebiam sempre algo, e eu, azarado, e "feio" - Sim, na altura achava-me mesmo "feiozinho, sem sal" - logo, nunca me mandavam cartas, e quando vinha alguém responsável pela entrega das tais benditas cartas, bater as portas das salas, com aquele grande coração feito de materiais reciclados, cheio de cartas para dar, era o pânico para mim... As vezes, não era o único a ficar sem receber nada, mas o pior, era quando via que todos tinham sempre algo para abrir, e aqui deste lado, não calhava nada... Cheguei até a pensar em escrever para mim mesmo, mas por favor, que ridículo pensava eu... Nunca tive jeito para simular, nem para enganar, e por isso ficava era quieto, a espera - já sem esperanças - que alguém com "pena", me fosse escrever algo num dia destes...
Os anos foram passando, e quase que já era normal não estar a espera dessas tão desejadas cartas. Foi quando menos esperava... Cheguei atrasado de propósito, nesta mesma data, ainda me lembro, estava eu no meu 5º ano, quando o meu professor, virou-se para mim e disse, que tinha algo para me entregar. Fiquei a pensar que seria algo que tinha deixado perder numa das suas aulas, e quando ele se aproximava da minha carteira, de passos lentos, com cara de gozo e meio tonto, que olhei para as mãos dele, sujas ainda do pó branco do giz, e aí vi, um envelope, de cor vermelha, com coisas escritas, tipo, desenhos e pequenas mensagens como, gosto de ti, corações, smiles, entre outras coisas que já não me lembro bem, e foi ai que senti que "era desta"... Era realmente uma carta de amor, não identificada, sem um nome, apenas com palavras bonitas, e com a minha identificação para que me fosse entregue, e dizia no fim "adivinha quem sou..." Fiquei tão contente, que passei o dia todo a olhar para o ar, só a imaginar. Nunca cheguei a saber quem era, suspeitei de algumas meninas na altura, mas não cheguei lá! Paciência - pensei eu - pode ser que para o ano se tiver sorte saiba quem foi a alma caridosa que me escreveu algo tão bonito. Esse pequeno gesto mudou muita coisa em mim, a minha auto-estima por exemplo, a minha maneira de agir com as raparigas, e até a maneira de me vestir... Acho que foi o que mais me marcou nesta data, e por isso ainda hoje me lembro. Desejo a todos os que lerem isto, um dia feliz, seja ele dia dos namorados ou o dia dos solteiros, o que importa é mesmo dar um sentido aos sentimentos, sermos felizes como somos, com quem somos. Respeito todos os casais que se amam de verdade, e que para eles todos os dias são "dias dos namorados"! Pessoas solteiras, ou aliás, pessoas solteiras por opção para vocês um óptimo dia também!

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