Porque não consigo viver de elogios rasgados à minha genialidade nem convivo com o comum admirável gesto de escrever com o coração escondo-me na frieza dos sentimentos abandonados pelos que insistem em ser felizes. Aproprio-me do lixo sentimental e escolho viver com os defeitos colados por baixo do tampo da mesa, onde apoiam os cotovelos aqueles para quem as atenções se viram como holofotes que iluminam que já escolheu o brilho da vida. Sou um afortunado, porque são mais os restos e os defeitos abandonados que meticulosamente recolho e me alimentam do que os elogios e as virtudes que são disputados pelas brilhantes e reluzentes personalidades que com prazer deixo passarem por cima de mim cortado a meta em primeiro e recolhendo uma vez mais os aplausos viciantes. Vive-se bem cá em baixo




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